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CNJ cancela mais 14 precatórios de usinas e manda devolver R$ 2,36 bilhões
Resposta rápida
Em 28 de setembro de 2026, a Corregedoria Nacional de Justiça mandou cancelar mais 14 precatórios expedidos pelo TRF1 em favor de três usinas, porque foram emitidos antes do trânsito em julgado da execução. O TRF1 tem cinco dias para devolver cerca de R$ 2,36 bilhões à União. Somado ao cancelamento de 23 de setembro, o total passa de R$ 7 bilhões.
Por Redação Precatório News ·
A Corregedoria Nacional de Justiça mandou cancelar mais 14 precatórios expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). A decisão é de 28 de setembro de 2026, assinada pelo corregedor nacional, ministro Benedito Gonçalves, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
Os créditos pertencem a três empresas do setor sucroalcooleiro: Companhia Agroindustrial Santa Helena, Agrovale e Borborema Agro Industrial, segundo o SBT News e O Bastidor.
Os números
De acordo com O Bastidor, os 14 precatórios somam cerca de R$ 1,9 bilhão em valores originais. Com correção e rendimentos acumulados, o valor a devolver ao Tesouro Nacional chega a aproximadamente R$ 2,36 bilhões. O dinheiro estava depositado em contas judiciais desde dezembro de 2023.
O TRF1 tem cinco dias para cancelar as requisições e restituir os recursos. Até lá, segundo o SBT News, ficam proibidos saques, transferências, alvarás e pagamento de honorários ligados a esses valores.
A decisão estende os efeitos de outra, de 23 de setembro, que cancelou 16 precatórios de usinas no valor de R$ 4,7 bilhões, créditos que haviam sido negociados com o Banco Master. Com as duas medidas, o total ultrapassa R$ 7 bilhões. Leia a matéria sobre a primeira decisão.
O fundamento
O motivo é o mesmo nos dois casos. Os precatórios foram expedidos antes do trânsito em julgado da fase de execução, isto é, quando a conta ainda podia ser discutida por recurso. Na prática, eram "precatórios bloqueados": emitidos com o saque travado até a decisão final.
A Corregedoria entende que essa modalidade contraria a Resolução CNJ nº 303/2019, que regula a expedição de precatórios, e aplica entendimento firmado pelo CNJ em 2025. Segundo a AGU, citada pela Gazeta do Povo, a decisão ainda passará pelo plenário do CNJ.
O que muda para o credor
Para quem tem precatório federal expedido depois da condenação definitiva, nada muda: a fila e o calendário seguem iguais.
O caso reforça, porém, uma lição para quem pensa em vender ou comprar um crédito. Precatório sem trânsito em julgado pode ser desfeito, mesmo com o dinheiro já depositado e mesmo depois de cedido. A certidão de trânsito da fase de execução é o primeiro documento a conferir. Veja como checar no guia Como consultar um precatório, entenda a cessão em Vender precatório: como funciona e a diligência do comprador em Comprar precatório.
O pano de fundo é a disputa sobre as indenizações da União às usinas pelo congelamento de preços nas décadas de 1980 e 1990, que o ministro Gilmar Mendes levou ao plenário do STF. Entenda o caso.
Perguntas frequentes
- Por que esses 14 precatórios foram cancelados?
- Segundo a decisão divulgada, os precatórios foram expedidos antes do trânsito em julgado da fase de execução, quando ainda havia recursos pendentes. O CNJ entende que não existe base legal para manter os chamados precatórios bloqueados.
- A decisão afeta o meu precatório federal?
- Não diretamente. A medida alcança requisições específicas de três usinas, expedidas pelo TRF1. Precatórios expedidos depois da condenação definitiva seguem a fila normal.
- A decisão já é definitiva?
- Ainda não. De acordo com a AGU, citada pela Gazeta do Povo, a decisão do corregedor nacional ainda será analisada pelo plenário do CNJ.
Fontes desta publicação
- Agência Brasil: CNJ cancela precatórios irregulares avaliados em R$ 2 bilhões (28/09/2026)
- SBT News: CNJ cancela mais R$ 2,36 bilhões em precatórios (28/09/2026)
- O Bastidor: Mais precatórios cancelados (28/09/2026)
- Gazeta do Povo: Governo recupera mais R$ 2,36 bi em precatórios (28/09/2026)
- Resolução CNJ nº 303/2019 (atos do CNJ)
Outras dúvidas sobre o tema
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